apresentando coluna Gonzo
Há algum tempo me interesso por um estilo narrativo chamado Gonzo, criado por Hunter S. Thompson, o termo refere-se a uma forma de escrever em que o narrador abre mão de entrelinhas e rococós e se manifesta de uma forma crua. Neste estilo, o escritor não se isenta da ação, como o hilário caso em que Thompson se junta ao ilustrador Ralph Steadman na cobertura de uma prova de iate e decide pintar o casco do iate favorito na calada da noite para colocar alguma emoção no tédio da cobertura. Thompson escreveu também muitos artigos pela Rolling Stone, The New York Times, Newsweek e quando interpelado sobre seus ácidos e parciais textos sobre a cobertura da eleição de Nixon contra McGovern (obviamente a favor do último) respondeu com um levantamento de que nada menos que dezessete dos assessores do derrotado candidato declararam estar escrevendo um livro sobre o assunto. Então seu ponto de vista não precisaria ter qualquer conexão com a realidade ou com os fatos.
Numa ocasião em que a Rolling Stone contratou Thompson para escrever um texto com prazo de uma semana, quando viram que ele não aparecia pra trabalhar no escritório que foi montado para ele na sede da revista, mandaram levar todos os artigos, incluindo garrafas de gin, pilhas de folhas em branco, tabletes de anfetamina e três gravadores, para o caso de se ter que apelar para o ditado. Acaba que só os gravadores foram utilizados. De doze em doze horas um correspondente passava no hotel para pegar a fita e enviar para a redação, onde outros jornalistas decifravam o que dava e mandavam para a gráfica do jeito que estava mesmo.

Meu interesse sobre o estilo vem de bem antes de conhecer o Thompson, que só agora fui ler. Nasceu de algumas revistas que nem me lembro (…) o nome e de conversas com meu amigo jornalista Lafael Bluno, quando eu morava em floripa. A forma direta de escrever, sem frescura, com parcialidade e sobretudo o ritmo acelerado sempre combinaram com minha alma ariana. Eu já usei e inventei outros termos para referenciar o estilo, como por exemplo ‘reptiniano’, criado para explicar para outras pessoas a forma que minha amiga Karla se manifesta. Apesar de ser extremamente terna e amorosa, seu raciocínio é tão rápido que tenho certeza que se quisesse (apesar de negar se perguntada) ela seria capaz de cortar uma cabeça fora sem estragar o penteado do ocupante.
A primeira vez que levei a sério o conceito foi lendo TAZ, Zona Autônoma Temporária, de Hackin Bay. Depois li o ‘Manifesto contra o trabalho’ do mesmo grupo (Krisis). Mais tarde conheci primeiro a obra e depois o autor David de Ugarte em Madrid. Mês passado estive na Colômbia, terra rica em letrados e passei vergonha em dizer que dos escritores colombianos só conhecia Garcia Marques. Fui apresentado para o fulminante gonzo Efraim Medina Reyes, que não por acaso tem como protagonista de alguns de seus livros o personagem Rep (de réptil): criador e criatura se encontram em Bogotá. Comprei todos os seus livros publicados e de quando em quando replicarei alguns textinhos curtos aqui. Mas para preservar a pureza que Fabíola tem mantido nesta casa, os textos mais sujinhos vão parar no mandiocamoderna mesmo.
Creio que esta coluna expressará muito mais as ideias de outros (verdadeiros gonzos) dos que as minhas próprias, já que no fundo me considero um mamífero. Estou mais para macaco (azul cristal) do que para Rep. A ideia é sobretudo provocar os amigos a escreverem a partir de um ponto de vista raro, de quem se importa mais em se expressar do que em ser aceito. Pra mim o GT tem uma função primal de jogar a arte desde dentro. Algo que se dividíssemos o mundo em dois poderia significar o exato oposto da arte de galeria ou do pedestal. Marcus Vinícius aceitou o convite de escrever uma coluna semanal e ele é meu primeiro alvo para se imbuir da cultura gonzo, que escreve sem frescuras, sem agradar.
“Hoje em dia não se ousa mais pensar nenhuma frase que não inclua gentilmente, em todas as áreas, indicações precisas sobre a quem ela deveria favorecer, o que antigamente era tarefa da polêmica descobrir.”
Bem vindas polêmicas ! gonzos, répteis, puros.. uriçai-vos!
Fabiano









Fabiano
ela ta lendo. com cara meio ruim
19:34
claudia melissa
o seu texto?
19:34
Fabiano
riu um pouquinho
botou a mao na cabeça
vejo rugas
fungou
não piscou
engoliu algo
19:34
claudia melissa
coçou a cabeça?
19:34
Fabiano
ainda não piscou
nao chegou a coçar
riu
19:35
claudia melissa
vixi…
19:35
Fabiano
manteve o sorriso
ainda de cara boa
19:35
claudia melissa
ufa! deve estar na parte da Karla
19:35
Fabiano
ta com uma carinha de cu
respirou e ta pensando no que dizer
(eu finjo q não vejo nada disso)
19:35
claudia melissa
citação a ela, qdo fala dos textos sujinhos
19:36
Fabiano
mão na cara
19:36
claudia melissa
run!! run for your life!!
19:36
Fabiano
acho q vou filma-la
isso. correrei
alias.. beberei
acho q ela ta mudando de assunto.. sem dar feed-back
19:36
claudia melissa
ahahahhahaha
e vc vai perguntar?
sr. ariano
19:37
Fabiano
voltou a cara de cu
rio de novo. i wonder.. se ela ta lendo outr acoisa
ups. riu
19:37
claudia melissa
ela ja mudou de assunto
19:37
Fabiano
é dificil ser reporter web
olhou pro antonti
19:37
claudia melissa
to adorando
olho no lance!
19:37
Fabiano
mão movimenta freneticamente o mouse
começou a digitar. seria um comentário .. ou um endereço para outra coisa
saco.. vou perguntar
19:38
claudia melissa
me conta
19:38
Fabiano
nao perguntei
ah. vou deixar pra lá
19:39
claudia melissa
uma hora ela vai falar
19:39
Fabiano
gonzo q é gonzo ta se f*
19:39
claudia melissa
hehehehehehe
como vc é mamífero….
19:39
Fabiano
já nem quero saber
ixxx. verdade. mas c sabe o que eu penso sobre as incoerencias
19:39
claudia melissa
verdade. deixe estar
mas sabe, acho que já tinha que botar um exemplo gonzo
pra galera enteder
a apresentação é legal, mas está teórica
19:43
Fabiano
sim sim ! to copiando uns textos
gonzo mesmo.. de outros caras
Gonzei!!!!
Pensando: não dá para escrever no estilo gonzo sem ter a atitude gonzo. Pelo menos uma vez, se entregar.
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