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[ vaidade ]

14 December 2009 No Comment

Autoconhecimento é uma solução que tem sido cada vez mais adotada no ocidente como saída para se conseguir
permanecer de boa depois que acabaram de cair todas aquelas certezas que nos deixavam na confortável posição
de não ter de pensar nas coisas mais importantes.
Coisas que de tão importantes já estavam pensadas e era só seguir como religião, casamento, emprego, estado e por aí vai.

Apesar de estarmos descobrindo agora esse caminho, já é escrito nos Vedas a milhares de anos, Sócrates também já tinha soltado
o “conheça-te a ti mesmo” há quase 5 séculos antes de Cristo – que, por sua vez – e por mais que tenha tido sua mensagem distorcida -  conseguiu deixar
na posteridade que Deus mora é dentro do nosso coração.

Mesmo assim, continuamos a procurar do lado de fora a razão de viver até que no século 20  não teve mais jeito.
As cortinas acabaram de cair, não  porque subitamente as coisas mal explicadas deixassem de convencer (porque disso a gente até gosta).
Deixaram porque foram fotografadas, filmadas e twitadas. Ou seja, passamos a perceber “em massa” que o incômodo existencial
que parecia ser só de um, era na verdade de todos.
Fichas caindo todo dia e conclusões sem volta, nos colocaram na nova posição de termos de “nos virar” por nós mesmos. Estamos por nossa conta.
(sobre isso vale a pena ver o primeiro diálogo de Waking Life: o professor de filosofia explicando o que Sartre fez)

De acordo com  Dayananda, em seu livro utilíssimo “O Valor dos Valores” (fiz um resumo que está num post antigo)
a vaidade é a primeira coisa a ser superada nesse caminho do autoconhecimento.
E o Swami explica o porque com a clareza dos Swamis (que significa aquele que domina a si mesmo):

“a não vaidade vem quando tenho certeza de possuir “na medida certa” as qualificações que declaro ter … assim,
não preciso exigir dos outros respeito. A cobrança pelo reconhecimento dos outros mostra que preciso de algum
apoio para me sentir alguém. Esta exigência vem de um sentimento interno de vazio, porque secretamente temo que o que sou não seja o bastante.
Mágoa é o resultado final comum para a exigência por respeito”

Narcisismo é uma das manifestações desse sentimento.  Arrogância pode ser outro. Falsa humildade também (que é a forma mais triste de arrogância).

Querer embelezar-se um empréstimo do termo, que em si não tem nada de mal

mas que não significa a mesma coisa.

texto : fabíola

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