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CENTRO CULTURAL OSCAR NIEMEYER

24 March 2010 No Comment

POR SANDRO TÔRRES

Outro dia passando os olhos num periódico local parei num artigo onde um amigo ator dizia muitas e péssimas sobre o descaso em relação ao Centro Cultural Oscar Niemeyer confesso ter pensado cá com meus botões até com certo enfado: “que desperdício de tempo!”. Do meu tempo e do tempo do meu amigo se dando ao trabalho de bater na mesma tecla, afinal, todo mundo que sabe escrever, um dia já o fez a respeito desse assunto. Bom, esse foi meu pensamento inicial, seguido de um momento de reflexão e dessa reflexão o insight: “Peraê!!! Tá errado! Tudo errado; temos que falar e muito sobre esse assunto! Botar a boca no trombone e soprar forte! Esgoelar, gritar, berrar, espernear, resfolegar, esbravejar, sapatear, urrar! Temos que vaiar, nos amotinar, fazer piquete, greve de fome, pintar as caras, sair pras ruas, ir à imprensa, chamar o síndico!!

Temos um mega espaço de 17000 metros quadrados,  destinado às manifestações artísticas construído em lugar nobre da capital, cujo projeto custou aos cofres públicos cerca de R$60.000.000,00, com biblioteca, museu de arte, teatro, palácio da música, monumento aos Direitos Humanos e o whisk and bowl e o lugar não passa de uma manada de elefantes brancos-vermelho-cinza? Como assim? Quem pode me responder algumas perguntas? É, porque, agora, passado o momento inicial de indiferença, as tenho aos montes e começo querendo saber qual o destino daquele lugar. Cadê governo? Cadê Secretaria Estadual de Cultura? Cadê a classe artística? Cadê os espetáculos, os shows, as peças teatrais, as exposições, os eventos culturais? Cadê meu retorno no ivestimento que faço na cultura através dos impostos que pago? Cadê meu programa cultural de sábado à noite ou domingo à tarde? Cadê o cartão postal da cidade do qual eu deveria me orgulhar e levar todo amigo forasteiro que me visita na minha capital? Cadê o próprio Niemeyer pra interceder?

Meu amigo, aquele do artigo, fez troça com o fato do espaço ter se transformado no primeiro centro cultural do Brasil a se tornar peça decorativa, ornando a paisagem de quem passa pela BR-153, a caminho de São Paulo… EPA!!! Cuidado com o trocadilho: a caminho de São Paulo que nada!! Não estamos a caminho nem de SP, nem de nenhuma outra referência positiva, mas sim, a passos largos, estamos encurtando cada vez mais a distância para o atraso, para o retrocesso, para as trevas da falta de cultura!

Só no que mais me diz respeito, as artes plásticas, posso dizer que o Museu de Arte Contemporânea de outrora, pré-Centro Cultural com nome de gênio, – cujos prédios internos também têm nome e sobrenome– entre 1999 e  2006 recebeu cerca de 48 mostras internacionais, nacionais e locais, entre elas a maior até hoje em visitação e aclamação pública, de Artur Bispo do Rosário; outra dos irmãos Campana. Estima-se que nesse período cerca de 180.000 pessoas visitaram o local, número expressivo para qualquer museu em qualquer lugar do mundo. O MAC mantinha convênio com outros museus nacionais e internacionais e parceria permanente com o Instituto Itaúcultural, promovendo intercâmbio de informações, repertório e artistas.

Tem-se notícia que em meados de 2007, o Governador Alcides Rodrigues visitou o local com sua patota e saiu esparramando através dos presentes que o local seria concluído. Teve arquiteto marejando, secretário de estado dando depoimento emocionado, engenheiro fazendo contas do quanto custaria na hipótese de ser verdade a prometida conclusão da obra. Meia dúzia de eventos bem ecléticos depois (mas bota eclético nisso), tudo voltou ao normal, ou seja, ao completo abandono.

Sinceramente, não sei como cidadão o que eu, Sandro Tôrres, posso fazer a respeito; não sei quanto vai custar e nem a quantas anda a vontade de fazer o negócio funcionar; não sei quem tá com a chave do lugar ou se pelo menos apagaram as luzes antes de sair. Não sei de quem foi a idéia de construir aquela superestrutura naquele lugar, mas agora já era: feito e é nosso!! Tem uma coisa que eu sei e que meu amigo do artigo do jornal também sabe: queremos ver o nosso Centro Cultural Oscar Niemeyer funcionando a plenos pulmões! Queremos sentir orgulho da nossa vocação cultural. Queremos ver aquela seta vermelha apontando para a imensidão do céu e indicando a direção pra onde é que se cresce!

SANDRO TÔRRES – ADVOGADO, ATOR E ARTISTA PLÁSTICO, EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO GOIANA DOS ARTISTAS PLÁSTICOS DE GOIÁS, SÓCIO DO ESPAÇO CULTURAL ARTE PLENA

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