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…e o ciúmes?

13 December 2009 No Comment

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Tenho uma amiga, das mais sábias, que um dia me trouxe a frase
” a gente existencializa aquilo que dá atenção”… em miúdos extremos: TODAS as coisas
que lhe acontecem, acontecem porque você, dando algum grau de atenção a elas, permitiu
que as condições para sua realização existissem.

`A essa frase somo outra do Yogananda: “pensamentos são bumerangues”.  E mais uma de
um livro que agora não me lembro o nome: “todo convidado comparece `a casa de seu  anfitrião”, referindo-se
a seus próprios pensamentos como eventos iniciais de qualquer acontecimento na sua vida.

Pois bem, se assim for, além de termos de  reconhecer nossa responsabilidade aumentada, vamos ver cair também um dos principais amortecedores
das dificuldades na nossa vida que é o difundido hábito de “por a culpa nos outros”.

Eu sempre prefiro usar o termo responsabilidade `a culpa pra tentar me manter numa espécie de auto programa de descondicionamento psíquico.
E a palavra responsabilidade também ajuda a gente entender com mais serenidade  sobre como, uma vez que os eventos começam em nós,
ainda sim, vivermos constantemente dentro de situações desagradáveis.

Em outras palavras: sou eu o responsável pelo que me acontece de ruim ? sim.
Mesmo que, estando na rua algum barbeiro venha e bata seu carro no meu? sim.
Esse é o convidado de seu medo de bater o carro chegando para a festa.
Difícil de acreditar, mas a simples possibilidade da mecânica existencial passar por aí já muda tudo.

Isso porque o desejo, normalmente associado `a situações de prazer (e ao prazer erótico em sua concepção mais básica),
não tem exatamente um compromisso com o seu próprio bem estar. Desejamos o ruim também, até porque sentimos “prazer”
na dor … na  nossa e na dos outros.

Prazer e apego. Ou antes, medo de, saindo de uma situação de sofrimento, cair em outra pior. Ou ainda, deixar de existir para
aquela pessoa que você para de atormentar. Sofremos não como resultado de um infortúnio, mas para garantir nossa presença
na vida daquele que conseguimos prender ao nosso sofrimento. E vice-versa, lógico.
E não precisa pensar em grandes catástrofes, pode ser um simples (e socialmente licenciado) ataque de ciúmes.

Aliás, sou de um estado em que o ciúme é celebrizado nas populares canções sertanejas. Sua intensidade comparada `a nossa própria capacidade de amar.
Sem fazer qualquer apreciação ao gênero, sob o aspecto espiritual,  não poderiamos ter escolhido um culto coletivo pior.
Repetindo como um mantra que “ela me trocou por outro” (não conheço nenhuma música em que “ele tenha me trocado por outra”) está criada
a condição psíquica de ver nas atitudes dela, indícios de que vai me trocar por outro. Daí, dentro desse processo que é paranóico, você inferniza
tanto a mulher que ela não terá outra saída, a não ser te trocar por outro.
Por outro igual, já que ser maltratada por ciúmes também é um desejo.

Enfim, há se ter muito amor próprio pra poder perceber-se nessa condição e conseguir sair daí de mansinho.

texto e ilustra : fabíola

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