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enquanto o Professor te ensina, o Mestre te acorda

11 January 2010 3 Comments

ursinhos

O ensino  pressupõe uma organização prévia do que será transmitido.
O professor, assim, escolhe, organiza e entrega o que tem a seu aluno que por
sua vez acredita  naquela verdade, sem normalmente verificá-la.

Antes não se verifcava o visto em sala de aula por falta de recursos: o dito, extraído de poucas fontes,
era normalmente dito só ali. Hoje, wikis `a parte, não verificamos porque o hábito relacionado `a “aquisição” de conhecimento, ainda está viciado nesse sistema hierárquico em que um ensina e vários “aprendem” .

Na verdade, não aprendem, repetem.

Tratando-se de um fenômeno que envolve interpretação, o que é aprendido raramente coincide com o que é ensinado. E é essa capacidade de interpretar que, melhorando ou piorando a informação, a transforma inevitavelmente.

Por isso, penso que seria sensato, qualquer curso de graduação hoje em dia cuidar disso antes de mais nada.
Porque o conteúdo em si está distribuido por aí,  cada vez mais abundante: “minha biblioteca e meus professores são os meus amigos”.

Em minhas leituras recentes sobre autoconhecimento e autodidatismo, encontrei duas palavras comuns que apontam de uma certa forma para o vencimento desse apego hierárquico. São elas “buscador” e “vivência”.

Dentro do tema espiritualidade (uso o termo aqui  no sentido da exploração de nossas capacidades mais sutis), buscador é aquele que está no  estágio pré-encontrado. Em outras palavras, alguém que intimamente já assentiu que existem  realidades paralelas (e melhores) `a essa dos jornais e, assim sendo, quer frequentá-las até poder permanecer lá.

Para se tornar um buscador, é necessário passar por diversos professores. Acreditar em muitos conteúdos até o momento
em que se realiza que nada disso é suficiente para trazer o conforto existencial.

Dessa forma, estuda-se tudo o que pode para voltar `a estaca zero, mas dessa vez dono e senhor da própria ignorância.
Santiago, o mordomo, mostra que percebeu, em meio a milhares de papéis onde passou a vida inventariando a nobreza mundial do Congo `a França:  “minha atividade mental é contínua, imensa e insignificante”

No contexto web, “buscardor” é aquele mecanismo milagroso de nos leva rapidamente `a informação que estamos pesquisando. Mais eficiente será o browser quanto mais clareza se tem em relação `aquilo que se procura. Tal clareza deverá ser transformada em palavras chave, que por sua vez derivam da própria questão que te move.

Ainda no vocabulário da espiritualidade, o buscador deixa de sê-lo quando entrega-se a um mestre. A partir daí ele não irá mais acreditar, mas vivenciar, o conhecimento. E vivenciar não é um processo intelectual, mas vibracional. Através dele desistimos de “saber” para “sentir”o que  dá lugar à manifestação  da intuição.

Desse estágio pra frente, professores não são mais úteis porque só poderiam “encher um recipiente que já está cheio” e “a erudição (ajuda, mas) não faz saber”.

O processo de ensino que despreza a intuição, valoriza a neurose, porque é da natureza da intuição (quando está tudo bem)  jorrar.  Para obedecer a uma ementa, a espontaneidade tem de ser sistematicamente abafada. Aprender então passa a ser desacreditar-se. Humpf!

Entregar-se a um mestre é   abrir mão não só do conhecimento adquirido com os professores, mas da própria personalidade construída a partir dele.  Sim, acreditamos que somos aquilo que conhecemos de nós mesmos a partir do que os professores nos ensinaram: seres biológicos, mistura de elementos químicos, átomos, entidade psíquica, profissional de mercado e por aí vai.

Não conseguimos nos perceber para além do que é cientificamente descrito e sistematicamente ensinado. É “resumir o  viver ao que se sabe sobre a vida”.

Entregar-se `a sua própria curiosidade, é atender ao mestre interior. Estou dentro da Universidade e quero afirmar que enquanto a interdisciplinareidade for entendida como  uma sobreposição de disciplinas sobre o mesmo trabalho, o resultado será grotesco e preguiçoso. Interdisciplinareidade (se é que essa palavra pode funcionar) deve ser a síntese
dos diversos caminhos que você percorreu movido por sua própria curiosidade. Se isso não puder ser resumido em uma profissão, é sem dúvida uma deficiência do conceito de profissão.

Não é sem razão que cresce o número daqueles que defendem que a escola mata a possibilidade do insigth e do gênio, pois ela  reduz a nossa chance de compreender o mundo (e a nós mesmos dentro dele) `as suas disciplinas  e isso é ridiculamente  pouco.

inspirações para esse texto:
Escola de Redes, @augustodefranco, feedbacks em sala de aula e reunião de professores, Santiago, filme de João Moreira Salles, Zen, Tao, O Yoga e o Auto-Conhecimento.

FabíolaMorais é artista plástica e  professora  do Curso de Design da PUC|GO

ilustração : http://www.stormthorgerson.com/

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3 Comments »

  • claudiamelissa said:

    É isso aí, muito conceito jogado ao vento. O comodismo e o engessamento do modelo de educação nos mostra que a questão aluno-professor-ensino precisa ser revista com urgência principalmente dentro das tais Instituições (que na falta de coisa mais importante com que preocupar, fazem questão da pompa de letras maiúsculas). Agora sobre o assunto mestre, sentir e vivenciar temos muito o que conversar. Tenho buscado. Nessa férias andei conversando com o Prem, evoluindo o assunto, querendo experenciar. :)
    bjo!

  • Dani Fiuza said:

    Tenho lido um livro nos últimos dez anos que diz:
    ” Os buscadores nunca se perdem” … dentre outras coisas mais ;)

    bom passar por aqui novamente!
    bjs

  • Daniela Lela said:

    :)

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