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Sobre aqueles que viram a Goiânia dos primeiros anos incidiu um choque estético que significava tentar compreender porque erguer uma cidade no meio do nada. O espanto foi relatado pelo conhecido conjunto de impressões do antropópolo Claude Lévi-Strauss (1957, p. 128) sobre a cidade, quando relata sua visita à cidade em 1937, momento em que esta estava ainda sendo construída.
(…) Uma planície sem fim, que parecia, ao mesmo tempo, um terreno baldio, um campo de batalha, eriçada de postes de eletricidade e de estacas de agrimensura, exibia uma centena de casas novas dispersas pelos quatro cantos do horizonte. (…) nada poderia ser tão bárbaro, tão inumano, quanto esse empreendimento contra o deserto. Essa construção sem graça era o contrário de Goiás; nenhuma história, nenhuma duração, nenhum hábito havia saturado o seu vazio ou amenizado a sua rigidez; sentíamo-nos ali como numa estação ou num hospital, sempre passageiros e jamais residentes. Somente o temor de um cataclisma poderia justificar essa casamata. Produziu-se um, com efeito, cuja ameaça se prolongava no silêncio e na impossibilidade reinantes. Cadmus, o civilizador, tinha semeado os dentes do Dragão. Numa terra esfolada e queimada pelo hálito do mostro, esperava-se que nascessem homens.
É a imagem da catástrofe, a destruição criativa da modernidade, a cidade-sertão, o empreedimento contra o deserto, a cidade plantada no meio do nada, múltiplas representações da fronteira.
enviado por marcelaborela









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