((( índia )))
Eu concordo com aquelas vozes comuns que dizem achar ser impossível ir à Índia e voltar a mesma pessoa. Não volta mesmo.
Isso principalmente porque por lá as coisas continuam sendo literais: o encantador de serpentes é um encantador, o sadu é um sadu, o guru é um guru e vacas, búfalos e elefantes
são os donos da rua junto com milhares de gentes e tuc_tucs. Nos olhos das pessoas resplandece o brilho de uma cultura (ainda) sem a malícia do alcool, o tempo todo alguém reza e ouvimos a música dos templos que são surpreendentemente simples e estão por toda parte.
Para nós que já atingimos esse grau de “desenvolvimento” (asfalto, mega lojas e toda comida embalada) pra poder experimentar tal autenticidade, só indo buscá-la no Vão das Almas.
Contudo, se o Brasil está para a Índia como a Suiça está para o Brasil, esses dois países guardam entre si muito mais semelhanças que apenas o fato
bizarro dos índios aqui se chamarem “índios” por um “engano” de rota (aliás essa é uma história que eu gostaria de ver esclarecida por OscarFortunato)
Por lá, meditação é mais que uma uma prática: a Índia é tão barulhenta, que buscar o silêncio interior torna-se um fato de sobrevivência.
No meio de tudo muito sujo ouvi da dona de um restaurante ayurveda (como eu tenho saudades desse lugar) que para o indiano, a limpeza interior vem antes e por isso a alimentação busca não só energizar, mas também manter o corpo interno limpo.
Por fora já é realmente outra coisa , porque a quantidade de pessoas sendo pessoas é absurda para os nossos parâmetros de um dos mais recentes amontoados de civilização do planeta. Se aqui ainda estamos pensando na preservação do nosso padrão de consumo, lá a água limpa já acabou.
Todo o plástico que jogamos fora displicentemente por aqui parece brotar no chão de lá. Tudo é sujo mesmo, e depois de um tempo você fica pensando: e daí?
Por tudo isso que eu consigo descrever, mas principalmente pelo que não é possível sequer entender, estar na Índia é dar-se a oportunidade de ver por instantes a alma coincidindo com o corpo.
Vendo tanta pobreza, entendo-me rica; vendo tanta naturalidade entendo-me simples; vendo tanta alegria entendo-me feliz; vendo recepção nos olhares sempre profundos entendo-me humana e
compartilhando da fé deles nos deuses deles entendo-me um ser completamente sagrado.
omnamahshivaya…sempre !!!
fabíola
+fotos: http://www.flickr.com/photos/bazartexas/sets/72157616136034808/














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