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pra que trabalho?

8 December 2009 2 Comments

giveaman

ilustra

http://www.flickr.com/photos/jerm9ine/

“Habitamos a Terra à medida que a salvamos. E salvar aqui significa deixá-la livre em seu próprio vigor”

M. Heidegger.

Nossas possibilidades e motivos de intervenção no mundo sofreram uma mudança.
Para uma boa parte das pessoas e na maior parte das vezes, seria melhor que, habitando o planeta,  não fizessemos nada:
o  ideal seria  acordar, comer, fazer qualquer coisa afável e não poluente, se relacionar de leve e voltar a dormir.

Faça as contas:  quanto você  gastou de recursos naturais hoje?  quanto restaurou?
Se seu  discurso é ambientalista e mesmo assim você  não tem a menor consciência desses números e, portanto, não
busca sistematicamente equilibrá-los, o que acontece é que o  discurso  ainda nao virou prática. E tem muita chance de não virar.

Pra começar, nós e o cara desmatador, poluidor, capitalista inescrupuloso, fdp, blá, blá, blá, consumimos, para nosso sustento individual diário, a mesma coisa.

Se não sabemos onde e em qual época do ano floresce e se colhe o tomate da salada  estamos sim cooperando
direta e diariamente com o sistema que nos mesmos criticamos. Contribuimos, inclusive criticando-o uma vez que essa opinião é anulada por nossa própria falta de atitude.

Como  começar a perceber a extensão disso ?
Tente conviver com o esgoto gerado por você por um dia.  Não dê descarga.  Não use a lixeira (que apenas tira o lixo da sua frente). Não tome banho, não lave as mãos, não use detergente na cozinha, nem nada que tenha uma embalagem não degradável (ou que não possa ser 100% reaproveitada).

Não consuma qualquer coisa que tenha causado danos irreversíveis ao local de onde foi retirada a matéria prima e que não tenha oferecido nenhum prejuízo social em forma de pobreza ou ignorância. E entao veja, com seus próprios olhos o volume de sua contribuição pessoal e a distância que está da preocupação ambiental verdadeira.

É fato meu amigo, que nosso dia-a-dia inocente promove o extermínio de todos os outros tipos de vida no planeta que não o humano:  é disso que tudo se trata afinal.

Dar-se ao luxo de acompanhar as ondulações do ego custam árvores, bichos e água. Acumular conhecimentos e ferramentas sem utilizá-los custam a dignidade de outras pessoas que habitam a mesma samsara mas não têm recursos para experimentar a expansão de seus dons.
Se tudo o que temos vem do mesmo planeta, é natural pensar que todos têm os mesmos direitos de “ter”
Enquanto esse pensamento passa pelos critérios da economia,  pode ser chamado até de reedição do comunismo (que é uma coisa que não funcionou).
Mas se o critério vier a ser o do coração, é ((( amor ))) e aí vc saberá o que é possivel fazer sem que ninguém tenha de dizê-lo.

fabíola

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2 Comments »

  • Fabiano said:

    adorei o texto. vai no âmago da questão. o euzinho da silva que habla mucho, mas que pensa que a solução está lá longe.. em Compenhagen.

    ps. quando é que se planta tomate? e .. como está a horta? saudades (((F)))

  • luizclaudio said:

    em lugares quentes como aqui o ideal é plantar de março a maio.
    3 meses a 100 dias pra colher…pra combater bezourrinhos (que atacam sem do) fumo de rolo + agua … :) ! saudades tbem!

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