((( sonhos )))
Existem qualidades diferentes de sonho. O mais comum
é aquele que você repete ou continua o que esteve fazendo no dia.
Esses refletem mais uma condição da mente estar permanentemente ligada,
como uma televisão … as coisas vem vindo por ali, os programas mudando, intervalos com assuntos desconexos
e você acorda, as vezes com a sensação de que nem dormiu…ou não sonhou. Esses sonhos são na verdade
poluidores da mente e não trazem qualquer benefício.
Tem também os sonhos recorrentes. De tempos em tempos, me vejo dentro de um elevador que começa a subir meio de lado,
ameaçando cair, ou uma escada rolante super acelerada que me faz ter frio na barriga. Ver a queda de um avião, voar “batendo” os braços, estar nu em lugares públicos.
Todos esses são bons exemplos pra gente entender como o nosso consciente formula visualmente
questões emocionais semelhantes com imagens semelhantes.
E existem, finalmente, os sonhos em que “estamos” lá e que revelam a própria trama da nossa existência.
Nesses, os personagens e os eventos formam um teatro didático sobre muitas coisas, mas principalmente
sobre como reagimos, desde a infância `a situações e como vamos construindo em volta delas
compreensões e resistências. Como modelamos, enfim, o nosso ego para nos apresentar ao outro.
Tenho com frequência sonhos assim, por isso me interessei pelo assunto e fiz algumas descobertas.
Primeiro, assistindo o filme waking life infinitas vezes, tive por 2 momentos uma experiência que o filme sugere de, tendo um desses sonhos “reais”
procurar um interruptor para apagar a luz. Se não funcionar, vc estara sonhando. Uma vez sabendo disso, poderá
movimentar-se conscientemente no sonho e experimentar sensações que estando aqui não são possíveis como se jogar de uma
janela e sair voando batendo os braços por vontade própria.
Bem, eu achei o interruptor, tentei apagar a luz, vi que não funcionava, entendi que estava sonhando e acordei. Não tive ainda a manha de ficar lá.
O nome desse tipo de sonho é “lúcido” e tem um instituto na califórnia que pesquisa tal coisa.
Outra experiência, é a de acordar o espírito (digamos assim) e “ver” o corpo ainda dormindo. Senti-lo pesado e só conseguir
mover depois de um esforço tremendo. Essa também é uma forma de surpreender-se na fronteira, mas é mais difícil de controlar-se porque
flagra a relação entre sua parte mais sutil e a parte física densa que não é em si algo muito fácil de aceitar nem de lidar com ela estando só.
As vezes que isso me aconteceu corri mesmo, gritei pra acordar. É meio assustador visitar a própria carne…:)!!
Certa vez comprei um livro sobre yoga e sonhos, de Sri Aurobindo. Fantástico. Aprendi lá alguns exercícios pra provocar esses sonhos mais conscientes que ele chama
de “experiência de sonho”: não ir para a cama cançado. Pelo contrário, deitar ainda alerta e ficar assistindo o sono chegar manso em todas as partes do seu corpo
(e não só nos olhos); pedir para a divindade que você confia um sonho que passe por lugares bons e que tragam esclarecimento para sua vida. Por fim, dependendo
da qualidade da sua memória, anota-los assim que acordar pois esse enredo vai se formando ao longo de anos e algumas conexões só poderão ser percebidas mais tarde.
Funciona, e fica sendo como escrever uma novela sobre si mesmo em que a charada não está no final, mas no começo…:)!
texto e ilustra : fabíola










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